[ de ROSASIVENTOS a 31.7.12 0 comentários
do lado mais estático da seiva
(corpos duros como insectos em seus virgens olhos
por força descolados
ao calor da estrada.)
[ de ROSASIVENTOS a 31.7.12 0 comentários
like in a filme
Como no interior de um filme no interior de uma cabeça
Sabes quantas são as imagens impossíveis?
ou no interior de um poema
Fecharei a porta do quarto com o som do meu saxofone durante toda a eternidade
Venham Buscar-me que eu Don’t mind
Tenho que acreditar que no maior esmagamento do lábio estará a maior força do sopro
A Redenção
Eu que toco com o ruído da doença em fundo
Deformando o maxilar do silêncio numa dança quase imperceptivel
[ de ROSASIVENTOS a 30.7.12 1 comentários
NO, IT'S NOT SO FAR...
[ de ROSASIVENTOS a 23.7.12 0 comentários
NYork - ça me semble loin
.
[ de ROSASIVENTOS a 3.7.12 0 comentários
e
.
escreve: quanto mais perscrutarmos o passado mais longe ficamos quanto mais alonjarmos o olhar em frente mais ténue o horizonte escreve: estou fodido escreve: já tenho idade para não me apaixonar facilmente escreve: como foi possível como foi possível eu que pago os impostos e que toco free jazz e sopro o saxofone escreve: que merda é esta que merda é esta para lá do sexo da vagina da cona sete montanhas para lá escreve: eu que vou soprar nova iorque que vou soprar nova iorque como foi possível
o momento não é o ideal para se lançarem grandes projectos que até podem ser muito bonitos
o momento é uma ameaça a projectos que já viva
a economia as finanças mas eu vou soprar a nova iorque
mas como é que me deixei levar para lá das sete montanhas
como é que fui parar para além do tempo
escreve: estou fodido a melodia entorta
.
[ de ROSASIVENTOS a 3.7.12 0 comentários
.
repito
esquece o morno da pele
o labio cheio
a palavra amor
(saiu sem querer, desculpa, não a queria pronunciar)
esquece o cigarro na madrugada
repito
esquece o copo de leite fresco e os risos frescos cansados dos amantes levemente soltos no terraço como gatos frescos ligeiros na sombra no telhado
confidências esquece-as
e esquece o renovado escuro transpirado no regresso ao quarto sôfrego
esquece o meu sexo furando transcendentemente
e a palavra querer
desculpa: não a quis dizer foi sem querer
transcendentalmente
esquece que te quis
analmente
esquece
que agora o que desejo é procurar o som
a qualidade do som do saxofone com que farei a melodia para nova iorque
.
[ de ROSASIVENTOS a 2.7.12 0 comentários
.
o quarto é um quadrado de silêncio opaco respirado com urgência
depois do sémen depois da boca gostas de fumar
escreve:
quanto mais se pensa no passado mais ele se afunda até ao nosso desaparecimento
quanto mais se pensa no futuro mais ele se alonja ao impensável
a cama é um rectângulo de silêncio asfixiado pelos teus gemidos
escreve:
escreve:
agora tenho que me preocupar com o sopro e o som e a melodia que tocarei em nova iorque
.
[ de ROSASIVENTOS a 2.7.12 0 comentários
o silêncio estala labareda e
deserto de cobre:
- dizia que se exorcisava
do implodir presumível do acto parado
da ponte curva amestrada
do lugar nenhum de
nenhum lugar
da porta dum só sentido à língua selada
do musical torcicolo do
[ de ROSASIVENTOS a 28.6.12 0 comentários
sair para a rua
sair de casa
sair da sala onde se leccionou
sair da sala onde se tocou
sair de casa
sair do seu olhar
levantar-me do sofá e caminhar na direcção da porta
sair da possibilidade do seu abraço que há muito não
sair do palco
com calma
como se nada fosse
o passo
tocou-se o que se tocou
tocou-se o que se tocou tocou-se o que se tocou
vou sair, disse-lhe
[ de ROSASIVENTOS a 28.6.12 0 comentários
.
[ de ROSASIVENTOS a 27.6.12 0 comentários
.
Vou sair: vou sair
a rapariga que assistiu ao concerto disse: não lembro
estou tão cansado de ter que convencer
cansado de ter que trocar o som pelo
sexo
pelo
pão
pelo
acompanhamento de um sorriso
pela merda de uma moeda
.
[ de ROSASIVENTOS a 27.6.12 0 comentários
.
percebe-se quando se percebe que o muro grande é pouco menor do que a altura da cabeça
pouco maior
quando se percebe
a senhora que atendeu na loja do saxofone disse: não lembro
daqui a pouco a hora e um realinhar de horizontes
o almoço
a mesa a água o pão
como um intervalo para a questão
tudo tem o momento desse momento
essa a história
quando sair
quando sair vou dizer:vou sair
.
[ de ROSASIVENTOS a 26.6.12 1 comentários
~
as amoras silvestres lembravam amigas antigas nascidas viúvas
sem qualquer intenção de viver pralém do primeiro olhar
[ admirava-as por isso, esmagava-as docemente e logo eram
[ de ROSASIVENTOS a 24.11.10 3 comentários
alegram-se os panos cinzentos que vão tapando o céu.
a caminho do palco deve ainda chover.
nesse canto me escondo. nessa luz
e nada a esconder: a melodia torta, directamente torta, um berro, o choro, ao silêncio maior de palavras. cada vez maior
nada a dizer: daqui ali - daqui ali: a melodia torta, directamente torta
é verdade: o vazio a encher a encher a encher
adormeço surpreendido por mais uma vez não ter já acabado
[ de ROSASIVENTOS a 23.11.10 1 comentários
o meu vazio é enorme.
a minha solidão é enorme e profundamente minha.
a minha solidão é enorme e profundamente minha -
e sou eu dela como não gosto de ser.
nenhuma palavra me cala a dor.
a dor é enorme e inflamatória.
nenhum corpo me acalma a vontade de desaparecer.
desespero é a música que sopro.
pensam que é vida em festa.
mas o meu vazio é grande.
muito grande.
guardo o saxofone amplificador: colocar fora pela boca o nada que me sou.
soou.
suou.
não sei porquê o escuro.
também não penso sobre os motivos que me levam a soprar todas as noites.
adormeço espantado por tudo isto ainda não ter terminado.
[ de ROSASIVENTOS a 20.11.10 1 comentários
por todos os lados a circunspecção enigmática das montanhas de silêncio ecoam emes de xises de mantras omprolongando se nos ecos de sempre eu a balir alongada numa prolongação silenciosa terminada em caves geladas de criptogramas e fungos frescos
a colher do vermelho odores a groselhas silvestres acidulações como ainda a preto e branco um bergman silvestre orvalhal
nós progredindo de gatas - lombares de chuvas o chão às tantas apenas curvas as páginas as lágrimas de medo liquidamente - submerso-cais de adormecer por esperar
ventos transportando a doçura take me take me now
semear açucenas na sopa da fé a morder e o pão de sempre a mastigar-me numa convexidão consentida,
da primeira matéria da respiração profunda jugular meu-teu-rio-de-sul-a-norte pequeno comboio-meu-só-criança à volta da sala - gotas de vidro liso fervendo as primeiras-primeiras das muitas-muitas gotas pareciam águas - que águas
[ de ROSASIVENTOS a 17.10.10 1 comentários
vou contar que apetece tanto falar e fico calado:
acontece ir na rua e apetecer tanto falar e continuar calado:
a voz do saxofone é a minha:
será como o som antes de se enrolar em palavras:
os urros
os gemidos
e o silêncio
apetece dizer-te e
os urros
os gemidos
e o silêncio
[ de ROSASIVENTOS a 15.10.10 3 comentários
o som curvo ocupar coisa da palavra
quanto mais fio de melodia maior oco como aumento de vazio
o concerto como silêncio
o concerto como fundo muito fundo
que dizer
como fundo muito fundo
muito fundo
[ de ROSASIVENTOS a 19.8.10 2 comentários



