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em comboio de
clinado ( re main



do amor só tive vontade de consistir não das canções habituais, mela, mela-mela-melancolia não me lembo quem canta isto, old skin for a new cerimony?, esse sei mas ao contrário como me apetece dizer ao contrário, waits não, também não, bem já não sei,
do amor só tive vontade de consistir sem melancolizar, nem de incendiar nem de mais insistir.

não quis solos elevados de amor, nunca me registei para arrancar cabelos das palavras, desnudar-me em sonhos, fotos de tangos tangas brilhos, a piscar propostas erectivas aos leitores de poesia, ou a propor, por exemplo a dizer, como li, que se parte ao meio e é sempre um só, o amor.

[ porque disso que mais vi, nunca cri?

o amor é sólido e tem pezinhos claros e acastanhados do chão que pisa, sujinhos, o amor é quente e frio e há-de soar sinos e dançar trevos ao vento e ser neve ao relento e ter palha no caminho. agora cada um vai no que crê e sei que

morrerei, é claro, de crenças impossíveis.

ninguém dará conta, pouco importa que morra um ou dez, somos sempre muitos e substituíveis - se se quer matar porque não se mata?, direi apenas que sim, que de qualquer coisa se morre de repente, e waits, de repente me lembro, invitation to the blues era num bar como vi aí num texto que me recordou, é extraordinário este combustível pressuroso da memória, scrambled eggs with tears, e os outros, malapedie-mela-melopedie-melancholy, einsturzenden neubauten, há-de ser mais ou menos isto assim escrito, depois zazouei de ouvido she´s like a swallow, sim, parecia-me amor aquilo era igual ao meu amor visto do baixio mais líquido de mim, do meu estar de cócoras mais açucarado, de olhos em bico no semi-pantanal oriente de canas efervescendo,

que tudo é como quem diz qualquer outra coisa, mesmo no avesso de si.

que sou daqui a poucas horas? a mulher dos gatos que enrola a língua a falar com eles, que tem toda a razão de ser a velha e os gatos, mas o mundo expele tais seres, cheiram a xixi e medo o mundo quer outros amores que não os da natureza, quer os que ficam ali quietinhos, mexe, mexe, não mexe, não, névoas e meninos que prometem enfados e corpos que não existem onde sejam perfurados e depois onde se veja o lado proibido o sexo estropiado, alinhado igual a carros crashados, esfumeganfados, para que quereria a mulher dos gatos o mundo para que serviria ao mundo o livre arbítrio da mulher dos gatos?

[[ que pouca importância dou à morte, vivemos neste parên][tesis recto, disse alguém, digo eu neste padrão, cada vez gosto mais de escrever entre parêntesis, escrevo-os e já sou outra lá dentro, saio sempre como os maluquinhos,

o zé maria snifava o ar e de imediato se embainhava de tropas, os trapos da sua guerra permanente a passar, as continências - as continências! as desinências nuas no convexo parêntesis da porta do hospital, acudiam-lhe arpões, ferros e cadáveres, facas, artilharias de ordens várias, gritava até a garganta sucumbir à extensão esfacelada, cavernas ecoantes de tímpanos até ao insuportável, e sei, bem sabia que temos que morrer de qualquer coisa ou por ironia - sempre preferível, do seu contrário.

que não arranjo desculpas para lhe dar à ponta dos dedos que digo ao corpo que nos pede abraços e repete e chora e nunca mais se cala ?

[ vou ali morrer e já volto, digo-lhe e ele ri-se não acredita, mesmo a ver as pingas mais grossas, o lago pasmado, não acredita que lhe traga um abraço, tenho esta vergonha de não ser capaz, de ninguém estar aqui ao lado, de tudo o que trago é pouquinho, dizem que é para resignar sei lá zé maria, tu sabes? queremos além desta lama, desta pedra na mama indexada, intextada

[ de que servem as sólidas paredes tóxicas de lava acumulada?,

vou agora ali num instante que morro crente que o maior amor é dum dia pra frente uma vez dois e, por outro lado, bem mais que dois - um e um não são nunca dois, é também tudo e sempre, afinal, sempre, sempre rio virgem, mas enquanto de abraço nem sombra, vou ali e volto ou volto que nem que não volte nem sei, ou sei, nem logo se verá.




Einsturzende Neubauten - Die Befindlichkeit Des Landes Live

15 comentários:

intimidades disse...

brigada texto lindo que deixaste no meu blog

ainda estou a descobrir como e o meu amor

Jokas

Paula

elena disse...

"A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que age aparece nisto, os seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que lhos apresenta."

disse...

Te encontro aqui ...em mais uma...todas as que foram e que são pi~(personas) de beleza intensa ...mutáveis mas de alma gêmeas...corpo frágil?....mas em mente e coração que o fazem único incomparável...apaixonante e TÃO...TÃO querido,querida...!

Anónimo disse...

Lindos e profundos lados, todas se encontram e formam un.

bjs.

JU Gioli

legivel disse...

... depois de ler o teu amor

sobre o amor,

apetece-me morrer num instante e voltar.

sempre.

Ad astra disse...

é como tu dizes!
exactamente
um ir e vir...ou talvez não

SMA disse...

Sucessivas carruagens em viagem
.
.
.
de um ate já

heretico disse...

gostei muito do texto. deveras estimulante. envolvente nos seus diversos tempos e registos...

quanto ao amor, bah!...
cada um que se coce - antes sarna de gato.

observatory disse...

tenho medo das tuas palavras

L.Reis disse...

no labiríntico reino da hermenêutica, descobrir os sentidos de todas as palavras

vida de vidro disse...

Do amor, a consistência, a solidez. Os imprescindíveis abraços que a pele pede e que algo cá dentro (chamem-lhe coração) quase suplica. Ou mais vale ir ali morrer e voltar.
Excelente! **

um Ar de disse...

...vivemos neste parê][tesis recto...
Creio que te entendo...
[Beijo...@]

Véu de Maya disse...

sempre gaivota...tudo entre parêntesee e já não estar fechado o parenteses...e escrita para poucos mas que mexe em muitos...excelente o teu texto...porque tens tantas cotradições...excesso de emoções que seduzem a inspiração...que alma grande grande tens piminha...

xi-especial

Véu de Maya disse...

errata:
tudo entre parênteses e já não estar lá dentro fechado o...

excelente...porque tens tantas contradições...

lima ou limão disse...

ah!... isso e outras coisas...
bah!... coisas e mais coisas...
é... e mais não sei o quê...
pé... assim, um ante ante outro, como quem não vê... ou lê... ou vê... ou o quê...

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