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tender para um grande silêncio



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as amoras silvestres lembravam amigas antigas nascidas viúvas


sem qualquer intenção de viver pralém do primeiro olhar

[ admirava-as por isso, esmagava-as docemente e logo eram

compota e água na língua - memorizada







alegram-se os panos cinzentos que vão tapando o céu.

a caminho do palco deve ainda chover.

nesse canto me escondo. nessa luz

e nada a esconder: a melodia torta, directamente torta, um berro, o choro, ao silêncio maior de palavras. cada vez maior

nada a dizer: daqui ali - daqui ali: a melodia torta, directamente torta

é verdade: o vazio a encher a encher a encher

adormeço surpreendido por mais uma vez não ter já acabado





o meu vazio é enorme.
a minha solidão é enorme e profundamente minha.
a minha solidão é enorme e profundamente minha -
e sou eu dela como não gosto de ser.
nenhuma palavra me cala a dor.
a dor é enorme e inflamatória.
nenhum corpo me acalma a vontade de desaparecer.
desespero é a música que sopro.
pensam que é vida em festa.
mas o meu vazio é grande.
muito grande.
guardo o saxofone amplificador: colocar fora pela boca o nada que me sou.
soou.
suou.
não sei porquê o escuro.
também não penso sobre os motivos que me levam a soprar todas as noites.
adormeço espantado por tudo isto ainda não ter terminado.












TIC s e TAC e assim


[ sim-sim estruturante o pulmão da tarde a seres por aí perdido de portos no cume ondulatório das árvores e eu rã-coroada-ali de vesido de cauda

nua de lentes intra-focais
por todos os lados a circunspecção enigmática das montanhas de silêncio ecoam emes de xises de mantras omprolongando se nos ecos de
sempre eu a balir alongada numa prolongação silenciosa terminada em caves geladas de criptogramas e fungos frescos

de poços profundamente alterados - take me down-down-down
a colher do vermelho odores a groselhas silvestres acidulações como ainda a preto e branco um bergman silvestre orvalhal

a rebolar pelo chão acocorada na descoberta da gestualidade pura derrotada atrás do corpo instintivo das rosas
nós progredindo de gatas - lombares de chuvas o chão às tantas apenas curvas as páginas as lágrimas de medo liquidamente - submerso-cais de adormecer por esperar

abrigada a meio do dia que abre a janela fresca de abertas palavras recta ondulação brisas qualquer dia por acaso hoje dia de todos os prováveis nadas
ventos transportando a doçura take me take me now

mudas línguas luas carris de casas-carris devolvidos assim a balançar asas cansadas a soltar asas - patas de aves a
semear açucenas na sopa da fé a morder e o pão de sempre a mastigar-me numa convexidão consentida,

formigar: permanecer à tona o volume preciso
da primeira matéria da respiração profunda jugular meu-teu-rio-de-sul-a-norte pequeno comboio-meu-só-criança à volta da sala - gotas de vidro liso fervendo as primeiras-primeiras das muitas-muitas gotas pareciam águas - que águas

que agora ser de tão-virgem-viagem-silêncio - de tão ver de verdade - de mais dentro que adentro verdade - de joelhos sempre e sempre dois de ser um-quase agora-nunca-nada-mais-a-descodificar -
surpreendem-me as ervas mais ignoradas a sorrir à minha objectiva de arma sem olho nem bala
surpreendem-me a sorrir à minha verdade à pele assim clara - tão limpa e calada,










porque:
vou contar que apetece tanto falar e fico calado:
acontece ir na rua e apetecer tanto falar e continuar calado:
a voz do saxofone é a minha:
será como o som antes de se enrolar em palavras:
os urros
os gemidos

e o silêncio

apetece dizer-te e

os urros
os gemidos

e o silêncio


em escala até ao silêncio
o som curvo ocupar coisa da palavra
quanto mais fio de melodia maior oco como aumento de vazio
o concerto como silêncio
o concerto como fundo muito fundo
que dizer
como fundo muito fundo
muito fundo








esse calor de anúncio

que encaminha rectamente os povos

num balanço agourado

esse calor recto - faca perfumada

[ esse riso de junho a dezembro

traz-me reis de penas e palavras

ai flores do verde piño breve acaso

alambreados gestos esboçados

a dolência do pó o bafo a cor dourada

e a dança - uma-só-dança

dorida magoada [ e magoada









~



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( ? where their nexxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxt nest )








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de tudo me enchi



das-águas

dos bolsos de mim




dos b arcos dos



passos


herdados [ no fim














"desaparece o som com uma facilidade surpreendentemente: a dificuldade de o fazer surgir quando se pretende e como se deseja: moldá-lo: para que nos sirva servirmo-nos dele servindo-nos: servir-se ele de nós nesta espécie de voz única: este canto que atravessa o corpo com o espeto do tempo: escrevo da melodia, da improvisação, do regresso ao tema, etc (anoto do etc); e como é igualmente: complexo o domíno do sopro, da língua, da articulação, da pressão dos lábios sobre a palheta de modo a que o som desapareça em silêncio e nós com ele sem pretensão de eco

para uma boa interpretação musical são necessárias muitas horas de prática técnica diária sobre o saxofone
desaparecer com qualidade exige longas horas de prática técnica diária sobre o saxofone
a imagem: existir distância alguma entre o sopro que da boca sai em vida de som aos dedos que morrem no frio das chaves
entre: a vontade que tenho de te rever e o corpo que te não pode tocar"







.


metais









há um corpo de seta em riste no fruto dos dias

uma acre antiga perfurante metabólica herança


] nadando rés-vés ao sabor de cristal





há um fio despido de branco dolente de frio

um arco de fogo na linha dos pés prumo ao rio

] anacronias de elipse espiral






.




"inconsciente baixar à penumbra,
a pálpebra, a persiana,
como que para melhor ouvir o fio que se desenrola dentro da cabeça:
a melodia surgirá de um sopro no escuro em procura cega:

o sopro ecoando a culpa


"

.

















havia um rio frac-cionado


um rio-des-conhecido


] um delta, não-dois, um rio,

que engrossara

inpel-ido a rosas e

ventos

era assim um rio

embeb-ido

um delicado rio

in-delido,

[ ou-via o murmú-rio limpo

das canas-no-rio


] su-ave-asso-bio,







.






.



quando o encontro é entre pessoas que se conhecem nada ou pouco: o modo de estar é diverso e a haver conversa será diferente:
quando a questão aflorou o porquê e o sentido de ensaios regulares entre músicos que esforçam a improvisação como modo de tocar:
quando o encontro acontece entre pessoas que se conhecem bastante, muito, de jeito íntimo, a conversa poderá ser mais profunda, atravessar a pele, as melodias significativas
(dispensando até a própria a palavra)

apetecer falar-te agora pode parecer uma conversa entre dois estranhos
há tempos que não te escuto soar
desenvolvi entretanto uma técnica de singin`blowing
etc e etc
etc e tal





.



.



"slow dance": john coltrane (saxofone tenor) with the red garland trio (red garland, piano; paul chambers, contrabaixo; arthur taylor, bateria).

"se eu quisesse endoidecia": terá sido herberto.



.




.









[[ e deus disse


faça-se uma coisa par ce lar

e aguda <

uma coisa chamada eterna-

-sombra-manchada-de-verbo s


] e façam-se corpos e almas e todo o av e sso


[ e todas as coisas se fizeram

de imediato


e deus viu que era bom e que também era

pés simo e

so r riu e

chor ou


des contente da sua obra

[ fachada e nó-cego ]]





.




"... juro, vejo a tua alma";
nada disto é importante, fundamental; nenhuma destas melodias que escutaste; não me calo porque é tarde, o sopro não se corta porque pretendemos; subo ao palco porque não consigo direccionar os pés em sentido diverso; escolhidos num modo de viver escolhidos num modo de desaparecer; nada disto é importante, fundamental; as melodias que ouviste são expressão individual e para pouco ou ninguém servem; este texto também é nada, meu e para quem e é nada; não o afirmo com tristeza - com lucidez, com a lucidez magoada de um egoísta que já é tarde; significativo é uma mão dada a uma mão; não é o amor, que esse é igualmente egocêntrico, mas uma mão dada a uma mão como um poderoso abraço que ajude o corpo do outro a tocar a vida para a frente; se pudesse tocaria para deus; ou com deus, se ele me aceitasse, se ele acreditasse em mim; se conseguisse, tocaria para tu voares para longe, para além de mim, para me esqueceres





.





.




o concerto de ontem foi muito bom, johncalldatrain em grande empatia, melodias bonitas provocando uma certa dança, harmonias complexas apelando à inteligência e assim, vento morno na figueira da foz e salão com muita gente a motivar.

"às vezes, quando te olho nos olhos, juro, consigo ver a tua alma".
disse-mo em inglês, enquanto eu arrumava o saxofone.
saberá ela da escuridão? do vazio? do segredo?







.

.
















em verdade em verdade vos digo

que nunca me zango e menos

re-volto

e aqui juro que a única língua que ouço

são todas as línguas:

são as línguas de fogo

as vozes misteriosas dos animais e

as vozes cálidas dos mortos

,decerto não excluo aqui que

à medida do meu tímpano falível -

- se é de tímpano que falamos,

poderei ainda escutar atenta e




mergulhada

na mais antiga ausência física

o som dos pés nas folhas inconsoláveis




do papel outonal


a respiração decidida da virgínia woolf


a entrar na água

um saxofone, piano, uma harpa ou

o roçar acetinado das asas do anjo e

ainda e ainda, a

estrela cadente tonta de sono

que escorrega no céu tão perdida tão

? im-perceptível -

- exactamente assim como

vós, que im-provisais,














compreendo a revolta: é efectiva a questão entre quem improvisa e quem escuta; existe penumbra em margem do palco, na fronteira da plateia; existe penumbra entre o olhar fechado de quem soa sob a iluminação de um foco e quem de olhos abertos todo escuro quer decifrar; em quem improvisa a permanente sensação de asfixia arrisca audições complexas; quem assiste pode não entender o que lhe vai acontecer.

quem improvisa sabe que o jogo pode ser mortal e não percebe
quem escuta sabe que o jogo pode ser vital e não o percebe

quem escuta pode arriscar apreciações definições e afirmações e lógicas

em casa suspeitam que não toque tudo; em casa suspeito que não toco tudo





[ sanctus-espiritus


















casa - público - casa - onde?

abstacções - ´ficar até ao fim`... que fim,

nunca espero revelações:

[ nem tão pouco há fim ou princípio:

aos primeiros acordes sai a alma

logo a seguir

incendeia as mãos e os olhos e logo-logo

desata a falar línguas púrpura-chama

] como um fantasma inverte

morte e vida, dança de esferas

no tecido infinito,


























em casa aguardam que soe sempre bem. nem sempre conseguem imaginar o esforço: como a melodia surge e se enrola e contorce sem mim: em torno de mim: para além de mim: o interminável esforço: procurar procurar perceber entender o seu caminho




um concerto é ir lá e tentar e procurar



em casa imaginam que toque para eles; toca-se para alguém; quando fecho os olhos abrem-se outros na minha escuridão em pânico: a melodia que me estranha é a corda com que procuro
(um vazio imenso tento eu encher soprando esvaziando o som para que o oiças)



quando os abri já havias saído, o público gostou bateu palmas e já havias saído




.



in pressões ] vi gésima-se gunda









impressionou-me sim ouvir-te

impressionou-me a voz desconhecida

a expressão despida

o anjo cansado que te acompanhava

a urgência exigente da guitarra

impressionou-me

a beleza cruel do saxofone

o anel no dedo sem significado

impressionou-me

a voz cava e unifónica dos animais

o burro de orelhas o muro a lagosta

e o outro... era uma ave?

] um fóssil... inidentificado?

impressionou-me

o homem gordo a rebolar escada abaixo

no seu fato branco de metal

] ancorado por fim às minhas pernas de barro

[ o legume era uma beringela abe rta no cartaz!?

ulisses e o fantasma do minuto de comboio

[ o coração fechado do cartaz...? e

os teus olhos entrementes-pálidos-entretanto-suados

] - Johnnn n n, Call Da Trainn n n !!

mas o que me impressionou mesmo ] e mais e mais

foi que me procurasses

[ que batesses à porta do teu calendário

para me confirmares que não-estava





.



.


ontem fui procurar-te, convite para tomar café. o desencontro era certo. o silêncio ficou confirmado. nenhum olhar fechado esquece a sombra que provoca. o lençol não apaga a forma do corpo que cobre. esta noite toco no café progresso. ontem demorei os arranjos para o saxofone tenor. a voz que não ouvi durante a tarde.





*














*



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aguardam em casa que o esquecimento não abranja o caminho de regresso. porque não se consegue tocar a mesma melodia de exacto modo: igual. o sofrimento pelo desvio é verdadeiro. é verdadeiro o desvio. é sincero e puro o inevitável contorno diferente do ar. aguardam em casa que sobreviva a cada concerto. e que regresse de modo parecido. parece ser inimaginável a estranha sensação em último compasso, a estranha sensação em silêncio terminal. repete-se o caminho com um passo certinho para que o engano seja possível e brilhante, eterno em instante, memorável, fantástico.
lembro-me. que há instantes em que a confusão é superior, ameaçando a própria confusão na ordem que a possibilita e valida. experimenta soar sem atentar no corpo que a guitarra te oferece, sem observar a pele brilhante da bateria, o ofegante respirar da flauta. lembro-me que terá sido algo desse modo aquela noite





.




.












sim

tudo - a - sangue

sim-sim

tudo a sangue e cardo

nenhuma música me acompanhou nesta morada

nenhuma nota clandestina

nenhuma música de fundo

nenhuma frase

na - da

e no entanto sim

tanto sangue sim

tanto sangue - d - água

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aguardam em casa que sopre seguro. morro na rua ao contrário da luz, quando tudo se apaga. acendo. abre-se esta espécie de boca que inspiro expirando som. não deve ser cruel - a vida ser uma morte e o inverso. problemático um pensamento fechado na cabeça querer sair e não conseguir. problemático o gesto que não ascende a um som com significado. afirmar que ando com o saxofone como quem anda com a botija de oxigénio. de pouco servirá se o fim for a sério. complicado é levarmos a sério esse caminhar com a botija. complicado é acreditar fortemente na botija. irracional é o saxofone. estavas muito bonita. não me ouviste mas estavas muito bonita. irracional é o saxofone.


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aguardam em casa que olhe seguro. como uma voz decidida. parecer uma melodia com toda a ciência. sabe-se que um improviso pode ser mortal. a mentira. a mentira pode ser uma bela melodia parecendo ensaiada e sabida. quem sopra jazz é mentiroso. quem o escuta gosta que lhe contem mentiras, gosta de ser levado, enganado. ambos sabem que o jogo é mais profundo, é de viver e morrer, ambos querem morrer a toda a hora sendo eternos a toda a hora. como é que ela enganou o fim, penso, como é que quebrou o previsto, como é que trocou a manhã que se aproximava.


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