*
*
[ de rosasiventos a 30.6.09
.

sim
tudo - a - sangue
sim-sim
tudo a sangue e cardo
nenhuma música me acompanhou nesta morada
nenhuma nota clandestina
nenhuma música de fundo
nenhuma frase
na - da
e no entanto sim
tanto sangue sim
tanto sangue - d - água
.
[ de rosasiventos a 24.6.09 4 comentários
.
aguardam em casa que sopre seguro. morro na rua ao contrário da luz, quando tudo se apaga. acendo. abre-se esta espécie de boca que inspiro expirando som. não deve ser cruel - a vida ser uma morte e o inverso. problemático um pensamento fechado na cabeça querer sair e não conseguir. problemático o gesto que não ascende a um som com significado. afirmar que ando com o saxofone como quem anda com a botija de oxigénio. de pouco servirá se o fim for a sério. complicado é levarmos a sério esse caminhar com a botija. complicado é acreditar fortemente na botija. irracional é o saxofone. estavas muito bonita. não me ouviste mas estavas muito bonita. irracional é o saxofone.
.
[ de rosasiventos a 26.5.09
.
aguardam em casa que olhe seguro. como uma voz decidida. parecer uma melodia com toda a ciência. sabe-se que um improviso pode ser mortal. a mentira. a mentira pode ser uma bela melodia parecendo ensaiada e sabida. quem sopra jazz é mentiroso. quem o escuta gosta que lhe contem mentiras, gosta de ser levado, enganado. ambos sabem que o jogo é mais profundo, é de viver e morrer, ambos querem morrer a toda a hora sendo eternos a toda a hora. como é que ela enganou o fim, penso, como é que quebrou o previsto, como é que trocou a manhã que se aproximava.
.
[ de rosasiventos a 15.5.09
.
aguardam em casa que olhe seguro. a direcção em que se aponta o olhar: um desejo: uma vontade. continuo a querer que me leves. a planear roubar o teu movimento. a sofrer com a hora tardia.
o corpo de ar da minha boca à boca do instrumento pode levar caminhos diferentes. o corpo de som da boca do instrumento à minha boca pode arrastar-me para trás de ti. sem eu querer. mas por eu querer, aponta: o segredo continua quieto: não posso permitir que irrompa.
[ de rosasiventos a 12.5.09
[ de rosasiventos a 24.1.09 33 comentários
[ de rosasiventos a 11.1.09
.



(amanhã acabo...) (ainda e sempre - numa só
palavra,
[ de rosasiventos a 7.1.09 32 comentários
[ de rosasiventos a 26.12.08 22 comentários
. ( cov-inha-essa-linha sem olho que as-sina
na-tal
não es-tendo estes dias agudos de-gelo
em que a terra as-sim me in-siste e
ex-plica
(não as bi-cicletas não as con-certinas
mas antes o corpo - pre-ciso cadáver
[ de rosasiventos a 20.12.08 21 comentários
.
quando entrar em palco estarei só - mais só do que antes e mais só do que após
o fato negro, a gravata discretamente colorida
o brilho metálico do saxofone suspenso do pescoço frágil
não preciso de mais nada
e de rigorosamente mais ninguém para me sentir morrer
e inevitavelmente repetir todas as mortes todas as noites como se fossem a primeira
única
fatal
final
hoje
agora
o último sopro
[ de rosasiventos a 10.12.08

aqui assim sozinha e de repente
sem recurso a qualquer autor
artista ou mesmo cidadão
consumir combustar consumar
e por fim
proclamar
o lado burlesco da s arte s consagradas
a duvidosa construção das épocas e do sagrado na s arte s
repito
e rejeitar com clareza o pretensiosismo a finura
o bom gosto os bons públicos e toda a corja associada
e todos os pr ismos associados
e também sim senhor a muita hipocrisia dos meios
a sua elefantíase estúpida e colossal
ah e passem passem bem, passem mal bem
ou passem bem mal
e com licença
deixem-me lá passar agora a mim
que
tenho que ir ali a taiti fazer xixi
[ de rosasiventos a 8.12.08 20 comentários
[[prescriptum: o que mais espero dos dias?
[? o que maii-is:
-l-imão)sol-ar-cor-po-cor-
[ de rosasiventos a 8.12.08 13 comentários
[ de rosasiventos a 28.11.08
[ de rosasiventos a 28.11.08
[ de rosasiventos a 25.11.08
[ de rosasiventos a 24.11.08
.jpg)

? prende-o-pé-é
chora-a-carne] ? porquê
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verde-rosa sister-ana quase] estasiaaaar en talar es ta lar es te lar ? pa rar-parar
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carne s carnes dormit [aaaar[ de rosasiventos a 17.11.08 31 comentários
[ de rosasiventos a 11.11.08
.jpg)

[ de rosasiventos a 7.11.08 22 comentários

entre os mais pre-visíveis
card-i-o-ba-ti-ti-ti-la-ti
-men-tos )
ouço no meu cor-ação
a bruxinha en
-carnação
[ de rosasiventos a 31.10.08 18 comentários

ninguém beija
ninguém beijou
ninguém beijará
[ nunca houvera nada pra ser bei[]jado
chove chove em mim secamente
raspanete de deus ladainha tridente
[ messa di voce raining balls
es [ tás cá? - pre s sentes?
seta pé-nosso moinho-pinho des ata ave
[ avé-maria salvé-

[ de rosasiventos a 21.10.08 25 comentários
[ de rosasiventos a 21.10.08
[ de rosasiventos a 19.10.08


aa (a
fot1 der mond _felix mantel 2 helene knoop´
.
[ de rosasiventos a 18.10.08 21 comentários
.
comprei um saxofone soprano em segunda mão;
é velho;
tem um defeito: uma chave que abre tardiamente ao toque - dá um efeito precioso à melodia bluezy e que raramente se consegue com apurada técnica;
paguei muito menos pela imprecisão;
fingi que era grave;
era grave mas para mim não;
nem a mandarei concertar.
comprei palhetas perdidas há quarenta anos na loja de um amigo; já não se usam, não se usaram de certeza, não cumprem os padrões das grande marcas actuais;
de tarde fui ver-te e ontem à noite fizeram as palhetas no saxofone soprano a delícia de quem me ouviu.
a ver se entendo:
o valor da circunstância ser o que é e fundamental.
magoei o lábio de horas a soprar.
havia de te ter beijado.
.
[ de rosasiventos a 16.10.08

do amor só tive vontade de consistir não das canções habituais, mela, mela-mela-melancolia não me lembo quem canta isto, old skin for a new cerimony?, esse sei mas ao contrário como me apetece dizer ao contrário, waits não, também não, bem já não sei,
do amor só tive vontade de consistir sem melancolizar, nem de incendiar nem de mais insistir.
não quis solos elevados de amor, nunca me registei para arrancar cabelos das palavras, desnudar-me em sonhos, fotos de tangos tangas brilhos, a piscar propostas erectivas aos leitores de poesia, ou a propor, por exemplo a dizer, como li, que se parte ao meio e é sempre um só, o amor.
[ porque disso que mais vi, nunca cri?
o amor é sólido e tem pezinhos claros e acastanhados do chão que pisa, sujinhos, o amor é quente e frio e há-de soar sinos e dançar trevos ao vento e ser neve ao relento e ter palha no caminho. agora cada um vai no que crê e sei que
morrerei, é claro, de crenças impossíveis.
ninguém dará conta, pouco importa que morra um ou dez, somos sempre muitos e substituíveis - se se quer matar porque não se mata?, direi apenas que sim, que de qualquer coisa se morre de repente, e waits, de repente me lembro, invitation to the blues era num bar como vi aí num texto que me recordou, é extraordinário este combustível pressuroso da memória, scrambled eggs with tears, e os outros, malapedie-mela-melopedie-melancholy, einsturzenden neubauten, há-de ser mais ou menos isto assim escrito, depois zazouei de ouvido she´s like a swallow, sim, parecia-me amor aquilo era igual ao meu amor visto do baixio mais líquido de mim, do meu estar de cócoras mais açucarado, de olhos em bico no semi-pantanal oriente de canas efervescendo,
que tudo é como quem diz qualquer outra coisa, mesmo no avesso de si.
que sou daqui a poucas horas? a mulher dos gatos que enrola a língua a falar com eles, que tem toda a razão de ser a velha e os gatos, mas o mundo expele tais seres, cheiram a xixi e medo o mundo quer outros amores que não os da natureza, quer os que ficam ali quietinhos, mexe, mexe, não mexe, não, névoas e meninos que prometem enfados e corpos que não existem onde sejam perfurados e depois onde se veja o lado proibido o sexo estropiado, alinhado igual a carros crashados, esfumeganfados, para que quereria a mulher dos gatos o mundo para que serviria ao mundo o livre arbítrio da mulher dos gatos?
[[ que pouca importância dou à morte, vivemos neste parên][tesis recto, disse alguém, digo eu neste padrão, cada vez gosto mais de escrever entre parêntesis, escrevo-os e já sou outra lá dentro, saio sempre como os maluquinhos,
o zé maria snifava o ar e de imediato se embainhava de tropas, os trapos da sua guerra permanente a passar, as continências - as continências! as desinências nuas no convexo parêntesis da porta do hospital, acudiam-lhe arpões, ferros e cadáveres, facas, artilharias de ordens várias, gritava até a garganta sucumbir à extensão esfacelada, cavernas ecoantes de tímpanos até ao insuportável, e sei, bem sabia que temos que morrer de qualquer coisa ou por ironia - sempre preferível, do seu contrário.
que não arranjo desculpas para lhe dar à ponta dos dedos que digo ao corpo que nos pede abraços e repete e chora e nunca mais se cala ?
[ vou ali morrer e já volto, digo-lhe e ele ri-se não acredita, mesmo a ver as pingas mais grossas, o lago pasmado, não acredita que lhe traga um abraço, tenho esta vergonha de não ser capaz, de ninguém estar aqui ao lado, de tudo o que trago é pouquinho, dizem que é para resignar sei lá zé maria, tu sabes? queremos além desta lama, desta pedra na mama indexada, intextada
[ de que servem as sólidas paredes tóxicas de lava acumulada?,
vou agora ali num instante que morro crente que o maior amor é dum dia pra frente uma vez dois e, por outro lado, bem mais que dois - um e um não são nunca dois, é também tudo e sempre, afinal, sempre, sempre rio virgem, mas enquanto de abraço nem sombra, vou ali e volto ou volto que nem que não volte nem sei, ou sei, nem logo se verá.
Einsturzende Neubauten - Die Befindlichkeit Des Landes Live
[ de rosasiventos a 8.10.08 15 comentários
dentro do sono as < > somo
[ de rosasiventos a 1.10.08 14 comentários

vejo com pasmo
[ e confirmo com
previsto agrado
que baste
[ que em nada baste
que as palavras se destapem
dos seus corações em cio
e mergulhem facilissimamente
no domínio comum das bocas
seta recta a perfurar códigos de espaço
refirmo a confirmação de como
em quase tudo
[ em todo o quase
da sua génese à quase possível verdade
nos enganam tanto a trocar de olhar
mas sobretudo
como por vontade nossa nos queremos enganar
[ e estendemos a ondulação do pescoço preliminar
assim tão perto a ler
as órbitas multilinguais
dos signos que julgamos
amestrados
[ de rosasiventos a 25.9.08 18 comentários
Às quatro e meia em ponto tenho um aluno, às quatro e quinze repego no saxofone, farei o aquecimento, que pautas lhe proporei.
Anotei mais do que uma vez: um grande amor e seria sapateiro.
Um grande amor e seria merceeiro ou bancário.
A janela aberta para a noite, o seu corpo deitado em lençóis adormecidos, a vontade de tocar.
Silenciosa.
A vida continua a acontecer connosco dentro.
Continua-se a surgir com vida no interior.
O instinto de sobrevivência faz quase tudo.
As cartas ligam aos astros e estes a uma das faces.
A poesia é uma das faces.
A música.
Fazer de um desses modos o modo único é a morte.
Às quatro e meia em ponto tenho um aluno, às quatro e quinze repego no saxofone, farei o aquecimento, que pautas lhe proporei.
Mas, repito, um grande amor e seria sapateiro.
Silencioso.
Muito silencioso.
Pela palavra surge a rima, a ondulação, a hesitação, o calor ao ouvido e a erecção inesperada, a convicção assertiva, a multidão, o silêncio barulhento, o silêncio absolutíssimo.
A morte continua a acontecer connosco dentro.
Continua-se a surgir com morte no coração.
O instinto de sobrevivência faz quase tudo, tem andado comigo, tenho andado com ele por aí, por vezes muito ao longe.
Gostaria que tudo terminasse atrás de um balcão.
Beijo.
[ de rosasiventos a 24.9.08
[ de rosasiventos a 20.9.08 14 comentários
[ de rosasiventos a 12.9.08 16 comentários
nascer

[ fot in clin ações
.
[ de rosasiventos a 6.9.08 11 comentários


[ fot romã-janela à foz do côa
[ de rosasiventos a 26.8.08 12 comentários
Rosa rosa rosamRosae rosae rosaRosae rosae rosasi i
rosa a a a
RosaRosa rosarum rosis
ros
is a a ros
is
rosa de Birgit Bertram
.
[ de rosasiventos a 19.8.08 10 comentários
(a melodia de um blues atravessando a casa velha em frente à janela aberta)
há erros que músico ingénuo comete com frequência
julgar que tem algo de novo a contar e que mais alguém o não sabe ainda
amar-te é mais antigo do que nós
mais fundamental do que esta casa antiga
continuar à janela aberta não nos protege da morte mais do que se a fecharmos e sairmos de mãos dadas para a manhã
e um saxofone tanto faz num blues como um blues tanto faz num saxofone
o medo é nosso a hesitação é nossa a decisão é nossa
a manhã é nossa se lhe sairmos de mãos dadas fechando as janelas da casa antiga
[ de rosasiventos a 11.8.08


inseminar
as articulações da rosa por exemplo
incircuitar
a ondulação nua da erva-rente-à-erva
farejar dias a fio
esta palpação atónita nómada aguda
silencial
inexplicar
à placenta roxa da manhã
o impúdico sonambulismo dos teus olhos
lenta luz intumescendo as cadeiras de palha
cair-te
ao cair da tarde um gemido surdo agreste e pálido
espiralado-ritual
avé cheia avé sim avé túnica azul
avé-Maria-tão-
-Grassa-única-ave
.
[ de rosasiventos a 1.8.08 10 comentários

[ de rosasiventos a 26.7.08 9 comentários
[ de rosasiventos a 26.7.08 0 comentários
[ de rosasiventos a 25.7.08

[ nasço de ti como te ser-me
eu que não sendo a mulher do circo era por acaso o produto duma vaga subtracção de aortas e válvulas
eu
extasiada estudiosa alheia a estores de pálpebras
assim maníaca de meias luas de repente sem contar a reconhecer a outra a balir a declinar assobios
lúbrica espantada teimosa apalavrada
dedicada a rasgar paredes para ouvir melhor - à unhada
a esticar-se à frente a todas as frentes para ver melhor
à cabeçada
traduzindo incógnitas à escala de carnes e planaltos eu ela
afogueada
a responder esfinges solitárias
candidata a rezar ( te
[ costurando nas sombra cestas e cachecóis de interminadas palavras
eu e eu
a accionar botões progressiva a insustentar costumadas mesuras ao verbo pensar ( take me
[ a esgaravatar
a prática milenar das ervas miúdas do efeito incógnito na vastidão dos cruzeiros na estrada forrada de lãs brancas bolas de nada
eu atravessando a garatujar
[ no meio das praças a fazer-me sem pejo às giestas a acender fornos a pesar demoradamente as
entradas a suplicar ( take meeeee e
a estrebuchar a sociologia contemporânea a aridez de plástico das teorias da literatura cada vez mais de mim alongada
aparatosamente debruçada na
epistemologia redonda do luar
ainda ao colo de bourdieu íntima de castells pela mão de roland barthes
[ inquietada e porém
ao seu colo a temer alturas a medir precipícios e colapsos
por via do curso de milagres mais aplicado do comprovativo textual e do
outro comprovativo que ignorava:
ela a outra a nascer a convite de si bamboleando gestualidades magnética e oriental
testemunha atónita da polissemia do instinto
do sinal inadiável de vida que se gera debaixo das camas parindo exigências a gesticular
onde
os pequenos monstros são afinal
um pacotinho policromático de infância de terrores decadentes de contos de fadas onde
os desígnios mais extraordinários se vestem do que anteriormente referi:
assim sintetizando a súmula dum caleidoscópio que não pára
[ a ser ela mulher no avesso sem duvidar da existência duma verdade final ela horizonte a requerer com urgência a incontornável visibilidade da marca
ela
a balir eus eólica esfumada a farejar o rumo transumante dos silêncios no rio queijo a esculpir-se da mão a sonhar ninhos na palha
a prescrever as mais bucólicas dúvidas à psicanálise
a reabrir escriturações tubinhos de sangues primordiais conservados em caixas
infantilmente inconclusivos cientificamente improváveis:
ali onde até bettelheim sorriria complacente e incrédulo desta branca de neve
espalmada
a marcar passo
a gaguejar níveis zero muitos níveis abaixo do mar a uivar penhascos vivos de marés no teu corpo prensada ( take take me
ela
inexistencial inestética a escorrer-se da coalhada das tardes
[ tão já nua conventual neste sair branco trânsico suave como a nascer da imaterialidade num claustro
duma cápsula imaginada
[ que branco mais branco não haja
[ referente enigmático à tipológica brancura que faz cegar:
[ texto em des construção,
na mira duma só
palavra [
[ de rosasiventos a 24.7.08 4 comentários
há tantas tardes que fecho qualquer livro de poesia.
falar de algo que se conhece:
não é difícil improvisar sobre o tema, misto de conhecimento teórico e muitas horas de prática de interpretação e experimentação instrumental.
descobri, há anos, que num solo tudo é possível; até o impossível.
ainda o mais difícil: o possível:
a sucessão dos dias.
com uma certa experiência, consegue-se adivinhar o adeus, o silêncio, os dias distantes.
sempre que me lanço a um solo de morte
ando com o teu nome, ariana, de um lado para outro
nem sempre me lanço a um solo de morte:
o sabor da palheta é igualmente amargo
e a manhã
[ de rosasiventos a 20.7.08
não usa saia
ariana usa pernas
vestal restolho aguçado
saca do vento
alento
ariana é fio dental
desaprumado tampão
desnatural
ariana está por dentro
do labirinto do
amoramento
globalmente
morre
ariana
de sede à margem do rio
de fome
não sisífa nem tântala
labirintada
tarantular
aconca vada
já não precisa
nada
ariana de qualquer modo
tauro mático mino
ariana cria ana olha o
firmamento
agora
ariel sem canto endeixa
moldura se areia
enleia
enternecida muda
sereia
foto view from two rivers stephen hickel
[ de rosasiventos a 18.7.08 9 comentários
[ de rosasiventos a 15.7.08

assim ESTRONDOSO de ausência
refluxo SÚBITO alerta
roxo cobre vegetal assim
EXPLOSIVO de aberto
(flecha pulmão todo SEXO
assim teu ombro de fronte
veias de lua JANELA
(SER de sem ser outra coisa
PARTO fogo pergaminho
COMETA que se esfarela
alva LUZ manhã teu sangue
romã nua chão da
TERRA
[ de rosasiventos a 9.7.08 2 comentários
[ de rosasiventos a 23.6.08

me rogo à luz que
a lua não tarde: que:
depressa expie este amor carnívoro:
plantação da língua
no frágil pulso das letras: e
apelo à terra: romã semente
e chuva: conjugação:
suplico:
- a tempo de ser tempo
me traga limpa a serra:
a casa:
levada: rio frio
íris turva colisiva
( lê meu lobo raíz xis )
e jasmim: vinculação (
[ de rosasiventos a 22.6.08 6 comentários

/ chove-me clara
voz
( suave murmuração
radicu
lar
foto broutons sous la pluie honey
[ de rosasiventos a 15.6.08 5 comentários
[ de rosasiventos a 2.6.08
[ de rosasiventos a 29.5.08
[ de rosasiventos a 28.5.08
é insaciável a enorme ausência que o constitui:
é a tremenda falha que anota o fantástico poema e emite o espantoso som
como se no eco
no eco
desligando em paz
não importando mais manhã alguma
inconsolável
[ de rosasiventos a 27.5.08
toda laranja me sumo
as palavras que se torcem só eu as oiço
afinal:
corpo inútil ante pio: bipolar
bioquimia
morno rio extenso riso
adrenalina
vitral:
.
[ de rosasiventos a 26.5.08 5 comentários
.
balões
prisões [
como garras
como cidades
a
respirar
desnorteadas
[ de rosasiventos a 19.5.08 5 comentários
[ de rosasiventos a 15.5.08 12 comentários
guardei o saxofone na sala desarrumada
atravessa-me um zumbido de surdez: a interminável tarde
custa adormecer um corpo cansado
[ de rosasiventos a 15.5.08 4 comentários

smoke is nice
smoke gets out ] off [ your
eyes
[ foto: Jakob Terlau
[ de rosasiventos a 13.5.08 9 comentários
e que mais?
[ de rosasiventos a 11.5.08 6 comentários
e que mais?
que outras coisas sabes de mim que não sei eu?
que outras coisas sabes de mim que não sabes de ti?
há este imenso relvado comum
ou este quarto escuro comum com este colchão de sombra nos nossos dois corpos
há esta sala profunda e comum de onde a flautista sai a chorar
que queres que conte?
que o final de tarde sou eu sentado sózinho no relvado incomum
a perder de vista
que o final de tarde sou eu sentado sózinho na sala profunda de onde a flautista saiu a chorar
e:
devo sorrir?
devo fazer de tolo?
devo baixar as calças?
devo escrever versos de merda?
devo sair a correr (em que direcção?)
devo inventar a felicidade?
devo pedir desculpa?
devo ter medo de ter medo?
que sabes de mim que eu não sei?
que sabes de mim que não sabes de ti?
que sabes do meu sorriso ao olhar-te no quarto escuro comum com este colchão de sombra nos nossos dois corpos?
que queres?
o final de tarde sou eu sentado sózinho na sala profunda de onde a flautista saiu a chorar:
nada
e nada beijaste
[ de rosasiventos a 11.5.08 3 comentários


a que salva inteiro e devoluto o medo
a que
o
multiplica e expande na alma da carne
[ de rosasiventos a 10.5.08 3 comentários
as flores perdidas
[ de rosasiventos a 10.5.08 0 comentários
agora: do céu no céu da tua boca
do que tenho medo: para além de outros receios:
da alma no céu da tua boca: de que a abras e me sopres as tuas núvens: aquando de um dos teus gemidos
(e não posso faltar ao horário no trabalho, ao compromisso do dia, ao relatório profissional)
da alma no céu da tua boca: que ma engulas aquando a tua língua em passeio pelo meu lábio mais frágil:
(e não podes aguardar eternamente quem não chega, quem não está, quem não vem, quem não surge)
te deixe eu pássaro à espera
me deixes tu saxofonista perdido
agora:
mais a sério:
queria tanto estar contigo como se não estivesse
mas já deve ser tarde
amor
[reinicia de memória a melodia que no meu corpo suado entoaste de olhos fechados
[ de rosasiventos a 8.5.08 7 comentários
[ de rosasiventos a 6.5.08 4 comentários
queria assim esta lisura antiga concreta e
vegetal
onde o silêncio
- surda implosão
se estampasse
- em todo o lado
horizontal
foto de nana sousa dias
[ de rosasiventos a 24.4.08 16 comentários

trezentos kilómetros:
novecentos mil kilómetros
inúteis
a voz na tarde
inquisitante
(mezinhas e murmúrios
odor arcaico de horário
vai atrasado o texto vai a direcção por tomar)
a urgência turquesa do mantra silvando à perna azul do pneu o fumo
distar-se
futuramente veloz
(a besuntação do unguento (irromper o quê corromper
qual qual texto -))
embrulhar pastosamente o plástico dos dias
a gradação
vegetativa descritiva e doméstica das vírgulas
(vagamente masturbatória
mudamente fissurando o olhar
(parentesis recto mastigar circular analisar
emudecer mudar
ao fim do tempo tempos
todos os verbos se opacam
acolando tremuras
cuidados de si reflexivamente
intransitados
esmagar a cabeça nas laranjas diluir horas
persignar prelúdios perder direcções
- vai vai atrasar o texto ))
beber à boca do glaciar
desaparecer) se (no texto rio
para sempre sempre apesar cada
instante
imagem: William_Wood_Untitled_2007
[ de rosasiventos a 13.4.08 18 comentários
[ de rosasiventos a 10.4.08 5 comentários
[ de rosasiventos a 8.4.08 5 comentários

nunca pude usar a voz.
sei que era importante mas nunca pude usá-la.
- quando a usei não soube como fazê-la ouvir.
tinha também idenficado a própria invisibilidade não como ralph ellison fala da nua invisibilidade
- fala no invisible man
não
assim:
- era duma negritude branca que falava
ou talvez de algum modo
- de todos os modos?
fale da minha pessoal invisibilidade foi então que percebi que estava lá em cima muito além de
qualquer voz de qualquer desejo a olhar que o fio terra se tinha há muito e para sempre
- o meu único para sempre
que bra do
que o meu estado era o de uma paisagem a leste do sono
- nem por isso singular
somente e tão somente integrada num caos in orgânico apenas só isso
- ex tensa casual melan colia do destino
comum
e na da mais
- en tretanto?
dia após dia
tardes:
- diz me
quando a interrogação se infiltra na raíz das palavras interroga menos ou
mais
i
[ de rosasiventos a 3.4.08 17 comentários
[ de rosasiventos a 31.3.08 11 comentários
.
ai o que diria jim san a este
grito se me
o vento agreste [
intemporal
e
infinito
imagem de Henk Auwema
[ de rosasiventos a 28.3.08 8 comentários
pousando o saxofone,
a urgência sente o homem sente em dizer amo-te;
ou amor meu;
a necessidade de olhos fechados
a música escolhe lábio que a sopre,
repete o pensamento repegando o saxofone,
o corpo dela adormecido entre lençois:
um conjunto de melodias perdidas no quarto suspenso de que servem?
que eco e para quem?
o que irradia deste sopro amplificando que sopros de outros?
a facilidade entrega ao homem entrega o saxofone à mínima hipótese de um dueto,
uma mão pequena que lhe guie momentaneamente o solo
porque nos sujeitamos à mais terrível das danças?
porque nos sujeitamos à mais dolorosa das imagens cegas?
[ de rosasiventos a 23.3.08 8 comentários
o homem fechado no quarto: a porta batida em silêncio para terra
o quarto aberto na totalidade para o mar
um quarto descendo do céu
o homem subiu pelo elevador na procura
transportando um saxofone
o homem encerrado no quarto aberto sobre uma lâmina recorrente, oxidada, cortando o horizonte insuportável; deve sangrar o mar cinzento, muitas ondas, muitas notas sopradas ao saxofone
mas nada
deveria caber tudo mas tudo no interior de uma melodia
repete o pensamento ao guardar o saxofone
de onde vem a tua voz?
ao abrir a porta para terra
como escutá-la?
ao descer as escadas
[ de rosasiventos a 22.3.08 5 comentários

eu sei que esperas
resposta
do deserto ao deserto
da música à música
na dúvida a dúvida
mas eu já só teço uma casa amarela
de linho lençóis à garganta das silvas
luzes muito longe em
fontes de vidro
a traça da língua no fundo dos dias
gravar-me canela chover-me erva doce
poça de água espelho
em pulso de rio
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que lisboa à toa
se lava
calada
na ponta dos dedos
na dança da noite
a ser quase
nada
.
[ de rosasiventos a 1.3.08 18 comentários

e vai-se compondo o quê, o quadro, a fotografia, a semana,
a direcção aguardando por nós em inesperada praia da noite, o chá aguardando por nós, a orquestra dos pinguins do café, os nossos lábios aguardando por nós em inesperada praia da noite
o medo esperando pela nossa felicidade
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e intacta embora à beira de ser-te
embora
ouvia sempre o subdérmico zumzum:
ninguém me quer ninguém me quer
ninguém
me
tão calado de nos cantar ali
arranquei as sete saias sete varas sete vestes cor de carne:
para sempre para sempre sempre sempre e sempre
foto alicia pietras
[ de rosasiventos a 26.1.08 17 comentários

onde neve leio cor
onde névoa solidão
onde boca gelo palavra
onde abeto leio aberto
(ou alberto sem semântica)
(na língua se enrola o mar?)
onde te ouço janela
traduzo poema como bolo de maçã
sou essa porta solar
e aos animais de veludo
aos satélites sem rota
abro as mãos de vento e rosas
de par em par
foto de Carla Salgueiro aromas
[ de rosasiventos a 20.1.08 22 comentários

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[ de rosasiventos a 6.1.08 4 comentários

.
crua
margem
nua
.
tua
:
sinal
da
cruz
:
vendaval
d´
aço
:
frio
ri-s-o
despido
de
chocolate
.
foto: mystic river Carsten Heyer
[ de rosasiventos a 5.1.08 3 comentários
o que primeiro vi logo depois das gymnopédies vi as palavras partidas o caos dos pés seguem-se cortes os cacos das palavras o que revi o que vi foi que
te vivia
vivíamos assim ali naquela piscina de azuis eléctricas águas tenho essa necessidade de repetir tranparente água apesar do sujo que era das coisas que flutuavam emergindo ao longo da superfície era tudo tão intensamente verde e azul repito excessivo sendo ali tão nós tão cor tu falavas mas só dos dedos
te ouvia
um dia um dia de flutuação tudo num só dia antes das cerejas e das pêras e de muitas coisas breves como outras mais longamente fomos assim num só dia e depois muitos dias imensos antes da menina nascer havia de se chamar como os contos nos livros amarelos a preto e branco ainda antes de tudo extensamente
te acontecer
aconteceu-nos um único dia de meses atravessando a esbracejar a trepidar a tropeçar num a doer as pernas de
te correr
a fio e o peito de atravessar num tropel afogada de asas ainda antes pensei quando fosses na direcção a cabo verde andavas sempre a
preparar-te
andanças e danças onde não era senão eu um corpo levíssimo demasiadas penas a
flutuar-te
quando antes te sabia assim amarelo verde agora ainda mais azul quando partires ai quando
te fores
aí na direcção de todo o mundo a caber-me num mindelo suave de pulsos abertos mapa líquido de olhos a correr voar a praia branca e não penses que não
te conheço
de cor na raiz mais profunda do desejo ainda antes de seres tão actor não penses assim na morte dos olhos nos cortes o vómito que não como sabes assim nem penses
foto de Paulo César
[ de rosasiventos a 27.12.07 10 comentários

se o mundo está cheio de
se o mundo está cheio
se o mundo está
se o mundo
se o
se
?
[ de rosasiventos a 24.12.07 5 comentários
se estivesses por aí como um dueto em concerto. imagino que não sejas. imagino que estás. consegui os filhos. dormem atrasados. porque escrevo tanto porque falo tanto. é-me mais fácil a limpidez de uma melodia. cheirei-lhes a pele ao deitar. dormem atrasados. a ideia de comer alguém de quem se gosta. de o incorporar em nós. a filha disse vou engolir os teus olhos, papá, a filha disse. a culpa de os trazer no nosso destino. porque escrevo tanto porque tanto falo. em mim o destino é torto. o saxofone é torto. fecho os olhos comidos pela minha filha e ouço-lhes o sopro em trio. como é bonito. a melodia curta e saltitante. a melodia fresca e ingénua. a melodia sorridente e gozona. é impossível não sentir medo da morte. estás por aí? ouve: é impossível não sentir medo da morte enquanto brincam com o saxofone que pousei no sofá. e morrer tanto enquanto observo os seus sonos. estás por aí? ouve: dou a luz que for na escuridão que lhes surgir, dou o som que puder no silêncio que os assustar. mas rebento tanto. durmo tão atrasado nas suas vidas. vou tão adiantado em lhes desaparecer. e não sei o que há no meio (já chegaste?
[ de rosasiventos a 23.12.07 2 comentários
regressei. continuo sem imagens. mas conto como tudo se passa: uma sala, uma sala eu e o saxofone: e uma melodia escrita. é como se passa: ler. pode demorar até que se saiba todos os sons que uma página contém. mas não é segredo impossível o toque. tal como se escutou já da fundamentalidade da leitura com instrumentos musicais. fecha-se os olhos. encerram-se os olhos para mais ver. e o que se vê se não se afigura em símbolos ou em palavras. é outra coisa. é outra coisa. já dei por mim a soar vozes que não sabia em mim. não consigo falar duas horas após o concerto. continuo sem imagens. não lembro as histórias mais importantes. o início da revelação é duro. um salão de solidão a doer. um tempo a doer com a porta da rua fechada. um saxofone como um martelo como um machado. não há segredo. o trajecto é a interpretação. a interpretação é a luz. a luz é a cegueira clara de um novo quarto encerrado. entrar ou não entrar. e jamais nos tornamos deus. músicos, aprendizes. mas o que pretendia mesmo era sair. e descansar em paz no teu colo. sem revelação alguma. os lábios cansados do sopro. morder-te com força o pescoço. penetrar-te violentamente por trás. foder-te. comer-te a cabeça. gritar mortalmente no teu sexo: salva-me
[ de rosasiventos a 21.12.07 4 comentários

o que recordava então era que podia ser outra estação ou o fim de um tempo de vidro teu - o teu tempo ali assim primeiro sentado depois de pé quase um pé. quase esticado o corpo lento como os gatos ainda antes de quando de súbito
abriste uma janela
que me apressei a fechar-te no meio do peito sabia que todo o cuidado era pouco que morrerias facilmente como tudo o que me tinha morrido nas mãos tudo o que podia cair e ficar rente ao chão ao abrigo de casas e edredons
tudo o que ignorava porquê.
era inverno um inverno onde os cabelos continuamente molhados secos baços.
os teus não se viam ou raramente ou se por causa desse brilho mais abaixo chamemos-lhe olhos e digamos que havia aquela cor lá dentro
talvez não tenha ainda pronto o nome a dar à cor
(ou eras tão mais branco tão menos branco como de facto eras?)
inventava ali um cuidadoso mapa de água.
a fulguração momentânea do sol qualquer coisa animal que se lambia à superfície e flutuava
perfeitamente imóvel
[ de rosasiventos a 20.12.07 3 comentários
[ de rosasiventos a 17.12.07 4 comentários
glimpses

a primeira coisa que te vi no banco do jardim o anel ainda antes de corrermos desvairados pela praia aos gritos ainda antes de cairmos a cara na areia húmida na noite ou
das noites todas ali antes de repente em cima de nós quase náufragos a alma em farrapos ao vento de tantas ilhas estavam todas as
ilhas da noite ali onde
na praça da república o banco era inverno os cabelos empastados em sal era um inverno às vezes gélido e sempre tanto o frio o quarto eras tu quando chegávamos
sempre as mãos contrictas dos caminhos de tão longe dizias monchique eu dizia serra nada dizias danças e eu a leveza absurda das mãos e depois talvez me sumisse no teu colo lateral ali assim quase
dizias casas amarelo nadar azul livros auster a saltar-nos pelos olhos e disseste que aí nos salvávamos à última da hora
dizias estás sempre a dizer-me
foto, Staden S
[ de rosasiventos a 15.12.07 3 comentários

ocorrera-lhe de repente que um corpo ocupava um espaço.
descansava transparente com um sorriso eterno.
descansava por fim: de tamanha miniatura aliviada.
imagem, thomas illhardt
[ de rosasiventos a 14.12.07 2 comentários