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continuo sem saber como me despir pela boca sem que o sopro se não gaste ( sopro na linha imaginária pauta flutuante o ar e a pele cansada as rugas que tarda já noite noite ainda tarde


canse ( não canso


desista ( não desistirei


me asfixie ( adormeça calado


porque espanto vital é perceber que a coisa mágica muitas vezes não tem penas como penas aparecem as coisas mágicas ( que não se explicam os pássaros já eu sabia e por isso e não só por isso não se pergunte mais




as palavras vivem entre nós mas vivem por elas próprias ( respiram e nascem como de facto seremos tão nus nas palavras a vida está tão fora de textos leituras arrufos cadenciados de notas anotações leituras paradoxais




conhecer o esqueleto: é uma entranha: espanto vital é quando silêncio: que nem sempre lhes apetece ser ditas, nem sempre bonitas ( o tempo de silêncio em que as formas se destacam no ar tão espanto a decorrer a jusante das horas frugais




apaixonei-me em tempos por uma bailarina do lago dos cisnes, entrei-lhe no fato para não lhe perceber a nudez ( somos o que sabemos que nos reguarda em todos os fatos podíamos entrar subitamente desaparecer em qualquer deserto parar sempre deixado um rasto rubro de festas por dançar




é imatura a anotação: quem já não cegou acender da manhã?; mas quem não gostaria de continuar a ver? ( quem não se despiu assim tão cego e se mostrou na claridade e na sombra osmose rasto esqueleto em construção dum abraço...?




o meu sopro: que há-de o meu sopro fazer de mim que gostaria tanto de ter penas e ser leve

etéreo

leve e eternamente feliz sem me preocupar

sem me preocupar

com o não te pisar na dança de ontem à noite











imagem Identical Souls Alberto Viana de Almeida

6 comentários:

Maria Laura disse...

O teu sopro, leve, leve, sente-se no deslizar das palavras.

un dress disse...

sem me preocupar


sem sem sem cem sem sem sem


s e m


m e


p r e o c u p a r

inês miguéis disse...

rosasiventos,
rodopia com o teu sopro e quem sabe o que irás encontrar. eu gosto de me deixar ir, num sopro, numa pena que voa para longe da margem, atrás de um sonho, em busca da boca de um vulcão, do anjo negro que me espreita há séculos, porque a vida está tão fora das letras... um beijinho. :)

ana disse...

a leveza que se constrói e merece, devagar.

tufa tau disse...

sopro-te ao ouvido volto

K disse...

Dançar todas as danças ao som da orquestra das estrelas...

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