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e ainda há a observação
de que andam como sempre voaram
os pássaros perdidos andam
à direcção do corpo sem corresponder a da cabeça sem corresponder a do voo já não se mencione o sentir
o inexplicável sentir
o inesgotável insuportável sentir
andam por encontrar:
a ilusória direcção
a sensação do norte
o magnetismo do significado com sentido
o insuportável sentido
observem-se os olhares
não o bater de asas mas os olhares e os cabelos complexos por arrumar
escutem-se os silêncios
não o barulho do corpo em convulsões aéreas mas a suspensão caída no céu
o barulho que fazem constituindo eco estrondoso contra um céu explosivo de fés
de més
chulés
de crenças
avenças
encontra agora uma fotografia e apontarei exacto com evidências os pássaros perdidos em mim
aqui
e aqui
e ali
e aqui
os anjos vazios
se não compreendendo
se não entendendo
se não percebendo desempregados da função celestial
espécie de social sexual
ao meu sopro espanto tudo
ao meu sopro tudo espanto e espanco
e todos congrego ao meu som todos convoco num espantar como um suicídio
um tornar a si
(relembro tuas as palavras mágicas levedando que pão à calçada nocturnamente marginal à praia)
(relembro nomeares a areia estranhamente lisa apontares como cimento estranho de areia lisa
compreendes agora o mistério
onde estavam os pássaros
as suas dedadas suspensas
como um suicídio
um-tornar-a-si
ao meu toque o poema se termine
e sossegue
aguardo um telefonema
podias convidar-me para jantar
espantar-me os pássaros asfixiantes da boca do saxofone
são todos lá
ia para padre se soubesse ir e as penas fossem de outra cor
translúcidas
confesso
a ti me confesso
e virias comigo mesmo cá dentro no meu interior mesmo que não quisesses que o meu desejo já não é meu é dele próprio
seria eu cuspido por mim de mim próprio restando tu
poucas dúvidas
confesso-te-me
confesso-me-te
virias comigo e surgirias à noite na brilhante melodia da oração da noite
como cobra da catarata
um fio de luz enrolado ao pescoço como um belo lamento para a vida toda
e finalmente silêncio verdadeiro
e sossego
e paz
e outra coisa qualquer que não sei
mas seria bom
poucas dúvidas

10 comentários:

un dress disse...

sobreviver às dúvidas.

muitas.

e viver ~




e beijO :)

Ad astra disse...

que vou ler mais uma vez, e outra ainda para absorver...como é devido
confeso-te-me

inês miguéis disse...

este teu poema não é belo. é belíssimo. tocante. comovente. forte. é tão forte. despojas-te em cada verso como se caísses de costas, sem rede. um beijinho.

Vanda disse...

Pergunto-me: serei eu numero?
Pergunto-te: teras tempo para ler as minhas asas?
Estrangulo a palavra, o vento um dia te contará...

Isabel disse...

finalmente silêncio verdadeiro
e sossego
e paz
e uma mão quente amparando-me a alma

finalmente vim ler-te
e foi bom
vou em paz

Um abraço

Isabel

BANDEIRAS disse...

Boa tarde amiga,

Estava lendo teu blog, os posts, gostoso escrever assim, não!
Postar são como jogar garafas de mensagens ao mar, ficamos imaginando quem vai receber e ler.
Adorável maneira de arriscar o desconhecido, nossa necessidade de respostas.
bjs.

legivel disse...

... não tenho certezas se um dia poderei metamorfosear-me num animal alado. São muitas as dúvidas mas a esperança é a última coisa a morrer


enquanto o pau vai e vem, folgam as costas; que é como quem diz: vou fazendo parapent...

sorrisos a meio do dia.

Maria Laura disse...

De dúvidas, silêncios e anjos vazios se faz a vida. Sossego e paz, às vezes. Ou outra coisa qualquer que (também) não sei.

L.Reis disse...

...mesmo que vivos, nem sempre sobrevivemos...

Alessandra disse...

nossa, que intensidade! Se hospeda em mim todos esses pássaros e os não-sentidos, e os silêncios e as dúvidas e a vida!

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